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26 Abril Transporte de medicamentos (transporte de termolábeis)

O trajeto dos produtos farmacêuticos desde a indústria até o ponto de venda é longo e envolve uma extensa cadeia. A movimentação ganha ainda mais complexidade quando a mercadoria exige rígido controle de temperatura.

Basta olhar com atenção a embalagem de qualquer medicamento para entender que a temperatura tem grande influência na eficácia e segurança de todo produto farmacêutico. Entre as recomendações de uso, dosagem e alertas de contraindicações, sempre há informação a respeito da armazenagem. Na maior parte dos casos, o fabricante aconselha que o medicamento seja conservado em temperatura ambiente, protegido de luz e umidade. Mas há produtos cujos cuidados vão muito além e necessitam de atenção redobrada de toda a cadeia, desde a produção, logística de transporte até o estoque no ponto de venda (PDV). Para isso, as caixas de EPS (isopor) são grandes aliados, e com ótimo custo benefício.

As caixas de EPS (isopor) são ideais para armazenamento, controle de temperatura, logística e transporte, dos seguintes produtos:

  • Medicamentos termolábeis;
  • Correlatos;
  • Cargas secas;
  • Equipamentos médicos e hospitalares;
  • Materiais biológicos;
  • Cosméticos;
  • Vacinas;
  • Entre outros!

Medicamentos que necessitam de um controle especial de temperatura são chamados de termolábeis e requerem armazenamento sob refrigeração entre 2°C e 8°C, a depender da recomendação do fabricante. Encaixam-se nessa categoria: soros, vacinas, hormônios, reagentes de laboratório, produtos biológicos, entre outros. Para os termolábeis, a temperatura é um fator que está diretamente ligado à estabilidade do medicamento, porque intensifica a velocidade de degradação do fármaco, afetando as estabilidades física, química e microbiológicas da substância. “As temperaturas elevadas são contraindicadas para os medicamentos porque podem acelerar a indução de reações químicas e biológicas, ocasionando a decomposição dos produtos e alterando os prazos de validade”. Quando a estabilidade do medicamento é comprometida, as consequências são perigosas. “Podem ser gerados produtos de degradação que talvez resultem em toxicidade, além da efetividade do medicamento estar comprometida. Portanto, haverá inúmeros riscos para o indivíduo que fizer uso”. Um exemplo que ilustra bem a importância de respeitar a temperatura indicada pelo fabricante é a insulina. “Ela tem certa tolerância, caso fique um pouco acima da temperatura ideal. No entanto, não pode congelar em hipótese nenhuma. Caso o paciente administre essa insulina que foi congelada em algum momento, ele pode desenvolver nódulos e outras lesões cutâneas”.

EMBALAGEM ESPECIAL

Com tamanha sensibilidade à variação de temperatura, os termolábeis necessitam de condições especiais de armazenamento no trajeto entre a indústria, distribuidora e PDV ou consumidor final. Para essa logística especial, é utilizada a expressão ‘cadeia do frio’ – nome dado ao processo que mantém as condições ideais durante o transporte, o armazenamento e a manipulação de produtos termolábeis. O deslocamento desses itens representa uma etapa de grande importância na garantia da integridade até a destinação final. “A manutenção da temperatura durante os diferentes trajetos é uma exigência inquestionável para a segurança dos produtos”, afirma Maria Aparecida. Para atender a todas as demandas especiais exigidas pelos termolábeis, há empresas especializadas em cadeia do frio. As tecnologias utilizadas no armazenamento dos termolábeis envolvem tipos diferentes de gelo e de caixas. Entre as categorias de gelo que podem ser usadas na conservação dos medicamentos durante o transporte estão: gelo água (o mesmo que é feito em um freezer caseiro), gelo rígido (em gel) e gelo em espuma. A diferença está na eficácia. “Gelo em água tem uma performance muito baixa, descongela muito rápido e danifica a aparência do medicamento, pois molha o rótulo, o cartucho e até o produto”, explica. O gelo rígido tem um uso maior, tanto por farmacêuticas como por fabricantes de produtos veterinários, pois tem maior eficácia. No entanto, pode dar picos de temperatura e não atende à demanda de transportes longos. Nesse caso, a tecnologia do gelo em espuma é a mais indicada. “O descongelamento ocorre de dentro para fora, então isto proporciona um tempo maior para a manutenção térmica do produto.” Quanto mais espessa e robusta a parede da caixa de EPS (isopor), maior é a eficácia de conservação.

TRAJETO MONITORADO

Definida a caixa de EPS (isopor) correta, é hora de colocar as caixas nos veículos transportadores, que também contam com tecnologia diferenciada para garantir que a temperatura dos produtos seja mantida dentro dos padrões ideais durante todo o percurso. Mais uma vez, são empresas especializadas na cadeia do frio que fazem esse transporte especial.

NO PONTO DE VENDA

Antes de traçar parceria comercial com distribuidoras/ ou fornecedores de produtos farmacêuticos, é recomendável que as empresas sejam avaliadas pelo farmacêutico responsável para que possam ser qualificadas pela farmácia. “Quando presente “in loco”, o profissional poderá avaliar todas as condições estabelecidas para o recebimento e armazenamento dos produtos farmacêuticos, considerando se o local tem boas condições de infraestrutura física, isolamento térmico, limpeza, instalações elétricas, carrinhos para transporte, sistema de condicionamento de ar, ventiladores, exaustores, termômetros, higrômetros, termo-hidrômetros, câmara fria, etc., além de averiguar os documentos relacionados ao controle de limpeza, manutenção e temperatura dos equipamentos e salas que assegurem as condições de armazenamento e transporte”.Atestada a idoneidade da transportadora, outros cuidados devem ser tomados quando o carregamento de termolábeis é entregue no PDV. A partir desse momento, a responsabilidade da manutenção da temperatura passa a ser do farmacêutico responsável, por isso, é importante que o profissional confira as condições do produto antes de aceitar a mercadoria. “Ao receber medicamentos termolábeis em seu estabelecimento, o varejista deve observar se eles chegaram na temperatura adequada ao produto, conforme orientação do fabricante; se o transporte ocorreu em veículos com isolamento térmico ou em caixas térmicas de EPS (isopor), com controle e registro de temperatura de saída e chegada”. Além do estado do veículo transportador, é necessária a verificação do nome dos produtos, nome do fabricante, número do transportador, número da placa e tipo do veículo, condições higiênicas, carga transportada e empilhamento realizado, checagem da nota fiscal e da integridade dos produtos recebidos. As condições devem ser monitoradas e registradas. Medicamentos termolábeis fora das especificações expostas não devem ser aceitos. Atestada as boas condições de entrega, a farmácia deve colocar o medicamento, imediatamente, em geladeira ou temperatura indicada pelo fabricante. Para garantir a conservação do produto, o estabelecimento deve seguir alguns Procedimentos Operacionais Padrão (POP), que demandam planilhas de verificação de temperatura e umidade, contendo informações, como data, hora de medição, temperatura, umidade e a assinatura de quem verificou a checagem com periodicidade elevada diariamente. “Qualquer intercorrência verificada na manutenção da temperatura ou umidade deve ser comunicada ao farmacêutico responsável para que sejam tomadas as medidas cabíveis em relação ao produto farmacêutico envolvido e ao equipamento”.